segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Shyamalan é o cara!

M. Night Shyamalan é o cara, e vou explicar o porquê dessa minha opinião.

Quando assisti “O Sexto Sentido” (Sixth Sense, 1999), fiquei dois meses sem dormir direito (isso porque também, na mesma época, vi “A Bruxa de Blair”, dos irmãos Winchester). Sim, isso mesmo que você leu, DOIS MESES. Fiquei mesmo com aquilo na cabeça; tipo, levantar de noite pra ir ao banheiro e dar de cara com uma alma penada pedindo ajuda.

Não acredito que almas penadas existam, veja bem. A questão é que o filme criou em mim um medo tão extraordinário, que essa overdose por um tempo fez com que eu esquecesse de que eu realmente não acreditava em almas penadas. Então, depois de Sixth Sense, tudo o que vinha com a etiqueta “M. Night Shyamalan” me atraiu (só não vi The Lady in the Water), mas não por serem filmes espetaculares. Esse diretor indiano é alvo da minha simpatia por ter idéias, na minha opinião, absolutamente surreais (mas incrivelmente simples, eu penso), que CONTINUAM a ser executadas. Mas executadas pobremente, infelizmente, e não estou falando em termos monetários, necessariamente.

Esse findi assisti o último de Shy, “Fim dos Tempos” (The Happenning, 2008).

O filme foi lançado em junho, e porque a sociedade anda tão cada vez mais imediatista, e eu sou sempre “do contra”, não ligo muito se o meu pronunciamento acontece cinco meses depois. Até porque em junho eu estava cuidando de coisas mais importantes do que filmes de paranóia, fica a dica.

[ATENÇÃO: DAQUI PRA DIANTE ESTE POST PODE CONTER SPOILERS!]

Porque foi assim que o próprio Shy descreveu o “Fim”: como um filme de paranóia. Basicamente é mais um daqueles thrillers em que um vírus (nesse caso, na verdade, uma toxina) acomete parte da humanidade (aquela parte “significativa” – e interprete essas aspas do jeito que preferir – da costa leste dos EUA), e cujo centro do “mal” (idem parênteses) é a bela NYC (bela sem aspas e sem ironia, faz favor). A tal toxina se espalha entre as pessoas após uma lufada suspeita de vento, causando dificuldade de fala e de movimento, e invertendo o instinto humano de auto-preservação. Os contaminados acabam cometendo suicídio.

O filme não é ruim. (Mas convenhamos, também não é de todo booom - sacou o trocadilho?). A despeito da falta de emoção que os contaminados demonstram, durante os minutos de fita, eu oscilei entre o bom-humor, a tristeza, a tranqüilidade, o suspense leve e a ansiedade. Roí as unhas todas (de novo, e pra variar).

Mas algumas interpretações chegam a doer na Alma (assista, e você vai saber por que está com “A” maiúsculo). Os furos são evidentes, já que há coisas sobre as quais o observador atento vai ficar sem resposta, e as cenas-clichê estão lá. Também há momentos impagáveis (a não ser que você tenha torrado $15 por uma sessão de cinema, o que não foi o meu caso), como Mark Wahlberg, no papel de um professor de ciências meio confuso, mas racional, conversando com uma planta de plástico.

Apesar do roteiro interessante, Shy se repetiu mais uma vez. Aquele clima-suspense de “puta-que-pariu-lá-vem-o-shyamalan-de-novo” que pintou, na expectativa de um twist à la Sixth Sense, se desvaneceu. Quando terminei o DVD, não pude deixar de achar graça com a “moral” da história que passou pela minha cabeça: “O homem destruiu o planeta e o planeta um dia pode querer ‘vingança’.” O problema é que parece emendar com um “WHO FUCKIN’ CARES?”

Faltou ênfase pra transmitir a tal moral, mas que venha mais um. E continuo com a minha opinião.

Shyamalan é o cara.





Consulte outros blogs e sites sobre o assunto:
The Guardian, The Telegraph, Cinema UOL, Um pouco de tudo.

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