quinta-feira, 9 de junho de 2011

Ser Professor

Ser Professor, com P maiúsculo, é...


...vez ou outra abrir mão do cinema no fim de semana para deixar as próximas aulas planejadinhas e lindas, e os trabalhos e provas corrigidos e em ordem;
...ganhar pouco;
...rir muito com seus alunos;
...carregar quilos de papel;
...ganhar presentinhos dos alunos;
...aguentar a birra dos alunos;
...sentir orgulho dos seus alunos;
...se surpreender com seus alunos;
...perder a paciência com seus alunos;
...comprar balas e bombons para premiar nos joguinhos pedagógicos;
...pagar mico em festa junina;
 ...pagar mico em festa natalina;
...perder a voz dando aula;
...encontrar a voz no fundo d'alma;
...ser meio padre, meio psicólogo;
 ...contar até dez, até cem, até mil, quando necessário (=sempre);
...segurar a risada para não "dar ousadia";
...não conseguir segurar a risada porque a piada realmente foi muito boa;
...receber mensagenzinhas pelo orkut e celular;
...receber spam por e-mail;
...ouvir as histórias de vida dos alunos;
...contar sua história para os alunos;
...se decepcionar com a profissão;
...estudar o tempo todo;
...investiro tempo todo;
...cansar;
...querer desistir;
...desejar cafeína injetável;
...se comprometer;
...animar-se;
... motivar;
...acreditar.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Poema em Linha Reta (fragmento)

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.



Fernando Pessoa.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A morte nossa de cada dia

Escolhemos condenar mais devagar o que mata mais devagar.

Se a gente julgasse com tanta rapidez os crimes contra a alma como fazemos com os crimes contra o corpo, há muito tempo já estaríamos condenados ao inferno sobre a terra amarga.

quarta-feira, 30 de março de 2011

O que é viver, senão lutar pela vida?

Não poderia, não poderia jamais deixar de mencionar aqui o quanto fiquei comovida com a morte do nosso ex-vice-presidente, José Alencar.

Acompanhei esses últimos tempos da sua batalha contra o câncer, período durante o qual aprendi a cultivar uma grande admiração por esse senhor de cabelos brancos, que se tornou para mim imagem de perseverança, destemor (mesmo quando o medo teimou em assaltá-los), otimismo, integridade (que tanto falta à nossa Mãe Pátria, nem um pouco gentil), simplicidade e amor pela vida.

Perdi minha avó em 2001, de câncer (linfoma), e em uma noite de fim de outono de 2008, uma variação dessa doença levou meu pai, deixando um buraco imenso sobre o qual eu só tenho uma certeza: a de que nunca será preenchido. Mas maior que ele só a certeza de que essas pessoas deixaram marcas profundas na minha existência pelo que me ensinaram: que viver não é só existir, é lutar para estar vivo.

A esses bravos, gigantes por sua própria natureza ingrata, que não desistiram de lutar, mas apenas chegaram até o fim de suas lidas, o meu reconhecimento e gratidão pelo legado que deixaram como seres humanos.

"End? This is not the end.
Death is just another path, one that we must take."
 J.R.R. Tolkien. 

sexta-feira, 25 de março de 2011

Some things are hard to write about...

Some  things are hard to write about. 
After something happens to you, you go to write it down, and either you over dramatize it or underplay it, exaggerate the wrong parts or ignore the important ones. 
At any rate, you never write it quite the way you want to.

(Sylvia Plath)

Eu sou a que se sente assim de vez em sempre!