quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Mimetizando

Acabei de assistir a versão brasileira do "British's Got Talent", um horror de imitação.
O "Qual é o seu talento?" não passa de um programa de auditório, com um 'repórter' que faria boa figura num filme Harry Potter, e quatro 'jurados' absolutamente parciais. Cadê a dureza do Arnaldo na hora de avaliar a performance de um guri de quatro anos coreografando pagode na TV aberta? Deixa pra lá, se o Conselho Tutelar deixou, né? Deixa, só porque o garotinho é negro e pobre, e teve graves problemas de saúde quando nasceu, e, claro, isso é comovente, e com certeza o público não gostaria nem um pouco se ele não fosse classificado, pobre garotinho...

Ah, e tem também a versão brasileira do Paul Potts! É um 'limpador de vidros' que canta ópera; inclusive ele cantou a "Nessun Dorma", mesmíssima música que o Paul cantou na versão inglesa do programa... E, claro, o dos vidros contou antes sua história comovente, que passou por momentos difíceis trabalhando fora do Brasil, mas que sempre amou a música e o pai dele morreu e ele não pode ir ao enterro, mas que o velho queria que ele fizesse o que gostava, bla bla bla

Sabe, uns disseram que a vida imita a arte, outros que a arte é que imita a vida, aí tem aquela coisa da mimesis e da diegesis, mas hoje tá tudo uma bagunça: a arte imitando a arte, a "arte" imitando a "arte", a vida imitando a "arte", a "arte" imitando a "vida"... enfim.
Por favor, me dêem algo novo. Preciso de uma catarse.
Obrigada.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Viagens no tempo - Parte 1

Aproveitando um tempinho de folga, aproveito para publicar essa postagem que já estava cozinhando na cabeça desde ontem. Hoje vou falar sobre viajar no tempo. OH! Coisa de criança?



A maioria das pessoas que imaginam viagens no tempo geralmente associam isso a uma máquina. Como H. G. Wells, no livro que deu nome ao filme "A Máquina do Tempo", ou até o Delorean da trilogia "De volta para o futuro". Há também os que imaginam viajar no tempo/espaço através de portais, como os criadores do primeiro filme "O Exterminador do Futuro", ou mais ou menos como os de "Stargate", aquela famosa série do final dos anos '90. E há aquela tendência mais diferenciada de "Efeito Borboleta", em que, para viajar por suas memórias, o protagonista pode fazê-lo através dos seus cadernos e fitas de vídeo.

Há quem queira voltar no tempo para consertar erros e tomar umas atitues, em vez de outras.
Não penso muito nisso. Imagino viagens no tempo e no espaço para responder perguntas da minha curiosidade, ou simplesmente para observar e saber se a História tem feito jus ao passado. Claro, não basta pra isso voltar só no tempo: no espaço também. Pra fazer coisas com algumas pessoas. Como por exemplo...


1. Brasil, 1984 - O país imaginado: campanha pelas Diretas.
Ok, em 1984 eu já era nascida, mas com 2 anos de idade não dá pra ter muita noção do que vinha mudando na cena política e social brasileira depois de vinte anos de ditadura militar e repressão aos direitos, especialmente os direitos civis.


Quem de fato saía às ruas pra exigir eleições diretas pra presidente? Que pessoas, que artistas, que trabalhadores? E o que diziam, como diziam, no que pensavam? Como eram realizados os comícios? Quem ia pra lá? O que essas pessoas conversavam enquanto esperavam o comício conversar?
Apesar de frustradas, as Diretas Já foram um marco em termos de manifestação na longa marcha pela cidadania no Brasil.

(Quer saber mais? Consulte Cidadania no Brasil. O Longo Caminho, do José Murillo de Carvalho, um senhor livro.)


2. Paris, França, 1975. Às margens do Sena com Milan Kundera.

Depois do que ficou conhecido como "Primavera de Praga", um nome bonito para uma repressão nada bonita realizada pelas forças soviéticas contra a abertura do socialismo tcheco, em 1968, muitos intelectuais e profissionais liberais, e gente envolvida com a resistência, teve que deixar a então Tchecoslováquia. O jovem escritor Milan Kundera foi um deles, indo exilar-se em Paris, em 1975.

Durante minha conversa com Kundera, regada a cafés com creme, croissants e charutos, num cafezinho simpático às margens do Sena, ele me contaria a história da resistência tcheca do seu próprio ponto de vista, e como o contexto político deu o tom a "A Insustentável Leveza do Ser". Me diria também, lógico, porque eu sou bem "brother", em que pensamentos e sentimentos se baseou para compor a história de Thomas e Thereza, personagens tão opostos e tão complementares. E, calro, tiraria uma casquinha dele, porque o cara era um pão quando era jovenzinho. O que confirma a minha máxima de que a França exala romance e rebeldia por cada um de seus poros.

(Sobre a Primavera de Praga, Eric Hobsbawm dedica um capítulo do seu livro Era dos Extremos - O Breve Século XX.)

3. Hamburgo, Alemanha, 1957. With the Beatles!

Nessa época não existiam casas noturnas e muito menos discotecas em Hamburgo. Os lugares que faziam os dias e as noites passarem a toque de caixa e rock'n'roll eram as boates de striptease. Vários grupos vinham de Liverpool para se apresentar na cidade alemã. Um proprietário de boate, chamado Bruno, teve a ideia de por essas bandas para tocar em espetáculos ininterruptos, ao longo de horas, a fim de atrair quem passava. Nos EUA isso era chamado de "nonstop striptease". O mundo dá voltas e os Beatles foram contactados pelo tal Bruno. Toparam. Chegaram a fazer dezenas de apresentações em Hamburgo, antes de estourarem mundialmente no início dos anos '60. Chegaram a fazer shows de oito horas seguidas. Isso fez com que a banda se desenvolvesse e amadurecesse, extrapolando o repertório básico e ganhando resistência no palco, e sintonia entre os membros. Para depois abrirem com chave de ouro a década de '60 e conquistarem o mundo.

E John me diria, numa das minhas viagens em que iria vê-los, com a minha câmera rosa-pink:

Melhoramos e ficamos mais confiantes. Isso foi inevitável com aquela experiência de tocar durante toda a noite.

(Essa história do sucesso e oportunidade dos Beatles é citada no livro de Malcolm Gladwell, Outliers - Fora de Série).



Preciso de um pit stop. Aguardem as próximas paradas/destinos!

domingo, 14 de junho de 2009

Inteligências múltiplas

Adoro trabalhar com pessoas. Se não gostasse, certamente teria que mudar de profissão. Mas adoro não ter uma rotina. Gosto de ver que as pessoas que encontro, ainda que sejam as mesmas, não são as mesmas que eram como da última vez que as encontrei. Gosto, sobretudo, de aprender com as pessoas, aprender em conjunto.
Ok, nem sempre é tão legal quanto meu romantismo gostaria que fosse. Trabalhar com pessoas é muito difícil. Pensamos, queremos e fazemos coisas muito diferentes o tempo todo. Desde a vida no lar-doce-lar até o trabalho, a igreja, ou qualquer outra organização que a gente frequente.
Mas, enfim, gosto de pessoas, e sou uma humanista nata, não há mais como fugir disso.

Há um tempinho atrás li um pequeno resumo sobre uma teoria de um estudioso da moda, Howard Gardner, que se chama "Inteligências Múltiplas". Segundo Gardner, há sete tipos de inteligências. Isso explicaria a sensibilidade musical extrema de um Jimi Hendrix ou um Syd Barret, a genialidade de matemáticos como Bhaskara e John Nash, etc. Isso porque, segundo Gardner, as pessoas desenvolvem tipos de inteligências diferentes das outras. Daí pensei que talvez pudesse haver alguma relação entre as minhas tendências com pessoas, já citadas, e algum tipo de inteligência. Vamos ver na qual mais me encaixo:

1. Inteligência Verbal: gosta de escrever (ok), ler (ok) e ouvir (ok). É bom contador de histórias e piadas (não ok). Tem boa memória para nomes, lugares, datas e trivialidades (ok). Tem vocabulário rico (meio ok) e se expressa com fluência e clareza (não ok). Gosta de fazer palavras cruzadas e jogos de palavras (não ok ou meio ok).

2. Inteligência Lógico-Matemática: explora padrões (ok), categorias e relações (não ok). Resolve problemas aritméticos e rapidamente (não ok mesmo!). Gosta de Matemática (não ok) e de usar computadores (ok). Resolve problemas logicamente (não ok). Gosta de xadrez, damas, jogos de estratégias (ok) e enigmas (não ok). Faz experimentos para testar o que não entende com facilidade (não ok).

3. Inteligência Intrapessoal: tem percepção aguda de sentimentos profundos, qualidades e defeitos (ok). Mostra independência, força de vontade e autodireção (ok). Reage com opiniões fortes em discussões controvertidas (não ok). Prefere seu mundo particular (ok). Gosta de isolar-se para produzir projetos ou praticar hobbies (ok). Tem um alto grau de autoconfiança (meio ok). Motivado par aproduzir projetos e estudos pessoais (ok). Habilidade intuitiva (ok).

4. Inteligência Espacial: pensa com imagens e fotos (ok). Gosta de participar de atividades artísticas (meio ok). Visualiza imagens claras quando pensa sobre algo (ok). Lê facilmente mapas e diagramas (meio ok). Desenha representações precisas de pessoas ou coisas (não ok). Gosta de ver filmes, slides ou fotos (ok). Gosta de fazer quebra-cabeças (meio ok).

5. Inteligência Musical: Sensível à vairedade de sons do ambiente (ok). Toca instrumentos (meio ok) e gosta de música (ok). Lembra de melodias de músicas (ok). Percebe uma nota musical desafinada (ok). Prefere estudar (não ok) e trabalhar com música (ok). Coleciona discos (não ok), gosta de cantar e dedicar tempo à música (ok).

6. Inteligência Cinestésico-corporal: Aprende melhor movimentando-se, tocando ou mexendo nas coisas (não ok). Processa o conhecimento através de sensações corporais (não ok). Envolve-se em atividades esportivas (meio ok). Desempenha atividades motoras (não ok). Gosta de tocar ou ser tocado quando fala com as pessoas (meio ok, depende de quem seja). Gosta de aprender usando manipulações e outras práticas (meio ok).

7. Inteligência Interpessoal: Gosta de estar com as pessoas (ok!). Tem muitos amigos (não ok. Poucos, mas grandes amigos). Organiza, comunica e, às vezes, manipula (ok). Aprende melhor relacionando-se e compreendendo (ok). Gosta de atividades em grupo (ok). Serve como mediador nas discussões (ok). Pode ler situações com precisão (meio ok).

Como deu pra perceber, uma pessoa pode ter características de várias inteligências, mesmo que tenha mais características de uma só. O barato do Gardner, certamente, é romper com a inteligência do "QI". Concordo muito que é muito difícil "medir" a inteligência de alguém, mas entre um teste de QI (fiz umas vezes, me senti meio burra), e a teoria do Gardner, fico com esta última!

Intelligence is bliss!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Twitter, parte 2

Comecei a gostar do negócio. Pqp.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A melhor maneira de se avacalhar um debate

Uma receita infalível!

* Falar do que não entende ou não conhece, deixando o ego saltar à vista dos olhos de todos;
* Apontar só os pontos negativos da realidade;
* Jogar a culpa de tudo o que acontece no mundo no governo;
* Criticar baseado nos "achismos" do senso comum, com bastante intransigência, como se tivesse um rei na barriga;
* Falar só dos modelos "ideais", como se o mundo real não existisse.

Ainda bem que a última sessão da Semana Nacional de Museus (tema: Museu e Turismo) em Aracaju contou com outras mentes além dessas, mentes com visão de mundo, sensibilidade e com boas ideias sobre educação, cultura e mundo real. Quase que rola pau, mas um evento que dá resultados práticos, como parcerias e projetos para ações conjuntas, merece o devido reconhecimento e respeito ao menos da comunidade acadêmica.

Penso que seja esse o propósito das discussões: enriquecer e ampliar visões de mundo, formar opiniões e congregar interesses comuns. Não é só criticar por criticar, só para manter o patamar da sua vaidade lá em cima.

E tiro meu chapéu para a grande mediadora da noite, a Prof. Terezinha, que, na sua coordenação de mesa, conseguiu fazer uma síntese produtiva diante das azáfamas da noite.
Genial, como sempre.