sábado, 25 de abril de 2009

Kundera, o Brad Pitt da Cortina de Ferro

Minha gente, Milan Kundera era o maior gato quando era jovenzinho!!!!
Estava eu folheando o Monde Diplomatique no banheiro essa semana e deparei com uma fotografia em preto e branco de um cara bonito, de terno e cabelo meio de lado. Quando vi quem era.... MILAN KUNDERA!

Nunca tinha parado pra pensar que o autor de um dos grandes livros que já li, A Insustentável Leveza do Ser, pudesse ser um pão em 1975. Sim, porque vim procurar no Google, e as primeiras imagens que aparecem é a de Kundera velho, um canhão, kkkkkkkkkkkk (maldade...)
Enfim, a fotografia de Kundera jovem pelo menos me motivou positivamente pra ler a matéria do Monde... Muito interessante, por sinal, fazendo um comentário sobre a relação entre a literatura do autor e o contexto histórico conturbado em que viveu.

A foto, a propósito, foi tirada na França, um ano após o escritor ter emigrado da Tchecoslováquia soviética.

Mais informações, leia aqui: http://www.standpointmag.co.uk/

terça-feira, 21 de abril de 2009

Tiradentes (21 de Abril)

Ê, laiá...

O grito pode ter partido de um grupo de burgueses individualistas (ou não).

Tiradentes pode ter sido só um bode expiatório (ou não).

O fato é que, no Brasil Império, o projeto liberal já ecoava no grito:

LIBERDADE, AINDA QUE TARDE!

Viva a liberdade que advém do conhecer.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Greve prêt-a-porter (parte 2) - Marx não serve mesmo pra nada

A greve dos ônibus acabou. O dia amanheceu hoje com circulação normal. Percebi quando ia pro posto de saúde fazer curativo no braço. (Sim, os médicos continuam em paralisação).

No semanário Cinform foi publicada apenas uma nota de menos de meia página, com o título "Motoristas decidem pelo fim da greve, mas continuam mobilização", como se não tivessem sido forçados a isso. (Um desembargador declarou a greve ilegal, neste fim de semana, como eu já havia comentado antes.)

As mobilizações que dos trabalhadores do transporte público, que vinham acontecendo na Praça da Bandeira estavam recebendo visitas da Polícia Militar: "Eles chegaram pra gente e mandaram a gente embora, disseram pra gente ir para casa", declarou um rodoviário que não quis se identificar (por que será...?).

O que me chama a atenção é que os interesses dos donos das empresas de transporte urbano é que saíram, mais uma vez, incólumes. Nenhuma mostra de insatisfação popular foi veiculada em qualquer meio de comunicação. A primeira edição do Jornal de Sergipe de hoje apenas notificou que a greve havia acabado, e só. Não vi nenhum dos ditos "intelectuais" sergipanos, que se orgulham tanto de lançar livros e bater papo aos brados em lugares específicos, se pronunciou a respeito. Nenhum topicozinho na net. Nenhuma postagenzinha em blog.

Pronto, esse é o ponto.

Onde está o compromisso social de ser intelectual nessa província?
Onde está a utilidade social de se chamar "mestre" ou "doutor"? Ou isso é meramente um título de nobreza, neste reduto feudal em que vivo? A quanto à Justiça? Será que tem a ver com isso o fato de que parte dos "operadores do Direito" da capital são herdeiros do sistema patriarcal latifundiário de Sergipe desde os tempos do Império? Cadê a dita "esquerda" política, que, outrora, se propunha, pelo menos em seus discursos, defender os direitos e as causas trabalhistas?

Não tem existido governo em Sergipe que não tenha feito acordos com a elite dominante e braços da Justiça, seja esse governo trabalhista ou conservador. E os trabalhadores têm ficado à deriva.

Esqueci de dizer que os professores também estão em greve.
A temporada continua.

domingo, 29 de março de 2009

Greve prêt-a-porter

A moda da estação, na simpática cidade de Aracaju, que completou 154 anos este mês, é a greve.

Os médicos da rede municipal estão em greve desde 3 de março, e as enfermeiras e técnicos estão ameaçando aderir em breve.
Na madrugada da última sexta-feira, 27, foi a vez dos motoristas e cobradores de ônibus iniciarem paralisação, reivindicando aumento salarial, pagamento de horas extras e maior segurança contra assaltos.

Atividades como ir trabalhar, ir à universidade, ir ao posto de saúde, etc, se tornaram um tormento para boa parte da população de Aracaju, cidade com pouco mais de 536 mil habitantes.

Esse mês a passagem de ônibus aumentou de $1,75 para $1,95 (os donos das empresas de ônibus haviam proposto um aumento para $2,10!). Mas boa parte dos ônibus continua em mau estado, especialmente os que fazem linhas para as zonas periféricas da cidade (experimente esperar por um Circular Cidade 2, no Terminal D.I.A., às seis da tarde), e os rodoviários não tiveram aumento salarial. Fora que os assaltos a ônibus continuam crescendo: é muito comum passar pela frente da Delegacia Plantonista da capital e ver um ônibus parado lá, de dia ou de noite.

Nesse mesmo ínterim, a bandeirada do táxi aumentou de $2,80 para $3,10, e com a greve dos ônibus, os taxistas se tornaram os alvos mais visados para assaltos. Só esse final de semana foram três, segundo o motorista com quem viajei ontem à noite. Segundo o mesmo senhor, os policiais militares vão aquartelar essa semana (isso significa um tipo de paralisação).

A cidade está parando, e as reclamações se voltam para o governo municipal. A página da Superintendência de Transporte e Trânsito, SMTT, não pronuncia nada a respeito do caos no transporte público e a população se encontra praticamente indignada, mas apática.

A greve dos rodoviários foi declarada ilegal ainda hoje. Todos os trabalhadores que aderiram à mesma serão demitidos por justa causa, de acordo com o noticiário de hoje. O que quer dizer que vamos continuar pagando $1,95 pelo transporte urbano, e rodando em ônibus esfrangalhados, velhos, e sujos, e reclamando disso com os motoristas e cobradores, como se eles fossem os donos dos carros.

Nos últimos anos, nem pichações de protesto de cunho social e/ou político vemos mais pela cidade, ao lado dos grafites. Mais um indício de que maus serviços públicos e acordos insatisfatórios entre trabalhadores e patrões serão, mais uma vez, a tendência da estação.

quinta-feira, 5 de março de 2009

O historiador e a verdade social

Bertolt Brecht escreveu um texto sobre cinco dificuldades para se escrever a verdade social.

"Hoje, o escritor que deseje combater a mentira e a ignorância tem de lutar, pelo menos, contra cinco dificuldades. É-lhe necessária a coragem de dizer a verdade, numa altura em que por toda parte se empenham em sufocá-la; a inteligência de a reconhecer, quando por toda a parte a ocultam; a arte de a tornar manejável como uma arma; o discernimento suficiente para escolher aqueles em cujas mãos ela se tornará eficaz; finalmente, precisa de ter habilidade para difundi-la entre estes."

(BRECHT, Bertolt. As cinco dificuldades para escrever a verdade social. In: Fragmentos de Cultura. Goiânia. v. 13. n. 6. nov/dez. 2003. p. 1201-1212).

É fato que o trabalho do historiador está sempre em algum tipo de relação com a verdade (seja lá o que as especulações filosóficas queiram definir). Seja para revelá-la, mascará-la, manipulá-la, ou escondê-la, não há como fugir dela.

A questão é que quanto mais complexa fica a sociedade moderna, mais essa relação se torna problemática. (Como, aliás, a sociedade moderna, as pessoas "modernas" e a própria "modernidade"). Já que o trabalho do historiador não tem como escapar da parcialidade, de que lado ficar quando assistimos o presidente do Sudão rechaçando a sua prisão decidida pelo Tribunal de Haia, instância jurídica da ONU, pelas atrocidades cometidas em Darfur? Se de um lado emitiam-se ordens para soldados Janjaweed estuprarem meninas darfurianas, por outro lado há um fundo de razão quando o presidente afirma que "não se ajoelhará para os colonialistas". Os mesmos colonialistas que jogaram o mapa da África numa mesa, no século XIX, para dividi-la e reparti-la entre si.

A linguagem é metafórica. Mas a realidade, nem tanto.