domingo, 20 de março de 2011

De livros e livrarias

Livros são uns dos poucos objetos sem os quais eu não poderia viver (outros são: óculos). E poucos lugares me fazem sentir tão à vontade quanto uma livraria. Livrarias estão no meu cotidiano não apenas para comprar livros, mas para visitá-los, folheá-los, experimentar as texturas de suas capas, ver suas figuras ou correr os olhos pelas diferentes brochuras. Enfim, são lugares para apreciar esses meus amigos.

Hoje mesmo vi o exemplar de "Cruzada no Reino do Paraíso", de Henry R. Haggard, que namoro há meses, ainda lá na prateleira. Por um lado fico feliz por poder olhá-lo e folheá-lo; por outro lado sinto como se fosse errado deixá-lo lá (porque ninguém ainda comprou aquele livro tão bom??? hahaha)

Sou uma bibliófila incurável (e às vezes meio compulsiva). Sempre gostei de ler, mas sempre gostei muito mais de livros que de ler, daí vocês tiram suas conclusões. Leitura e livros são grandes válvulas de escape para mim; sempre foram os lugares onde eu me refugiava quando queria sair da realidade, viajar pelos reinos de Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, ou pela floresta encantada do sonho de uma noite de verão shakespeariano, ou pelo jardim de Alice, ou viajar junto com o apaixonado, nos cinco minutos de José de Alencar. E perder um de meus personagens favoritos era como perder alguém que tinha aprendido a gostar. E quantas vezes não desejei que certos personagens existissem na vida real? Elfos, fadas, deuses, semideuses, bruxos, pessoas comuns: médicos, viajantes, pescadores, aviadores, artistas...

É por isso que considero visitar livrarias como se fosse visitar minha casa dos sonhos, de milhares e milhares de pedacinhos da minha alma. Que, aliás, é formada de muito mais coisas além de livros: música, filmes, chocolate, amor, saudade e interrogações...

domingo, 28 de novembro de 2010

Paul McCartney em São Paulo - o show da minha vida

Faz quase uma semana que vi aquele que sempre foi meu Beatle favorito numa apresentação ao vivo, e são tantas coisas que eu poderia escrever sobre essa experiência que não sei exatamente como fazê-lo, mas vamos lá.

O último show no Brasil da "Up and Coming Tour" começou, como os anteriores, com cerca de quinze minutos de projeções que contavam, resumidamente, a história da carreira de James Paul McCartney. As expectativas do público eram muitas, a começar da minha, mesmo, que sonhei (literalmente) uma dúzia de vezes com aquela noite, e pelas conversas que pude ter com pessoas que conheci lá na pista. Afinal de contas, para muitos se tratava de 17 anos de espera, desde a última vez em que Paul esteve em terras tupiniquins.

Como eu ia dizendo, nossas expectativas eram tão altas quanto os pulos que dei assim que tocaram os primeiros acordes de "Magical Mistery Tour", seguida de "All My Loving". Achei que fosse ficar logo sem voz, mas essa possibilidade, junto com as dores e o cansaço físico de toda uma tarde e noite em pé, e até a chuva foram embora, afastados por acordes mágicos. Porque era muito fácil ignorar tudo isso, e apenas voltar todos os sentidos para o que estava acontecendo naquele lugar. Eram 60 mil pessoas cantando "Band on the Run", "Something" (a mais bonita homenagem da noite, na minha opinião, ao meu segundo Beatle favorito, George), "A Day in the Life", "Give Peace a Chance" (homenagem a John), "Let It Be", "Hey Jude" e mais tantas outras.

Difícil não se deixar envolver por essa atmosfera re-ple-ta de tanta energia positiva: as mesmas 60 mil pessoas juntas no mesmo lugar, entre apertos, esbarrões e pisadas nos pés - e no entanto não tive notícia de nenhuma briga acontecida ali. Famílias inteiras, adolescentes, adultos e até idosos berravam as canções a plenos pulmões. Difícil acreditar que era um Beatle ali naquele palco, não apenas cantando para nós, mas cantado conosco, em meio a saudações, piadas e gestos engraçados. Fomos contaminados todos pelo carisma de James Paul. Difícil não entender porque essa apoteose se assemelha tanto a um sonho.

De todas as palavras que posso escolher para definir o show da minha vida, vou escolher "coração". Foi até onde Paul chegou na noite do dia 23 de novembro de 2010, em 60 mil corações. E se ele encontrou essa estrada aberta, foi porque primeiro deu - e ainda dá! - a nós, por 50 anos, também o seu coração.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Por uma VIDA mais saudável

Há pessoas que descontam suas emoções (positivas ou negativas) na bebida. Outras, no cigarro. Outras, nos doces!
Um dos motivos que mais me têm conduzido aos doces, além de gostar mesmo, é o estado de ansiedade. Ansiedade por problemas de toda e qualquer ordem. Isso, além de ser metódica e um tantinho perfeccionista (aka "complicada e perfeitinha").
Durante os dias que se seguiram ao post anterior pude reavaliar novamente minha postura sobre as coisas que me causam ansiedade, e vi que nas últimas semanas andava muito brava/irritada com algumas coisas com as quais não estava satisfeita na minha vida e que não estava sabendo como lidar. Isso me fez me empanturrar comer muito mais do que o necessário/normal.
A ansiedade provocada por enxergar todos os problemas do mundo como um grande todo realmente me deixa extremamente perturbada, e a solução que encontrei já há algum tempo (mas que sempre acabo esquecendo de adotar isso como parte de um estilo de vida mais saudável) é o velho método do "uma coisa de cada vez".
Resumindo, meus problemas com comilanças não dependem só de não entrar nas Americanas e encher a cesta de Bis e Diamante Negro, mas de mudar aos poucos minha visão de mundo. Do contrário a campanha "por uma vida mais saudável" não vai dar em nada, se eu não aprender a levar a vida menos a sério.
Então estou optando por ampliar a "campanha", resolver os trabalhos e problema de cada dia, aprender a pedir mais ajuda, relaxar mais, voltar a me exercitar de ALGUMA forma (me ajuda a extravasar), sair mais e me preocupar menos, com meus problemas e os dos outros. Aliás, NÃO me preocupar com os problemas dos outros, né?!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Por uma vida com menos açúcar

Eu como muito açúcar. Não como quando era pequena, que comia literalmente, assaltando o açucareiro, o que com certeza deve ter me enchido de vermes. Mas o fato é que como muito dessa substância que faz tão mal para o corpo.
Não tenho diabetes, não tenho sequer taxa de açúcar em níveis críticos, mas o que incomoda realmente é comer tanta coisa que faz mal e não conseguir parar com uma decisão pura e simples. Estou praticamente me considerando uma viciada! Só hoje, por exemplo, devorei uma caixa de Bis branco (quase inteira, porque me controlei - mas ainda sobraram alguns), goiabada com creme de leite e copos de refrigerante. Ontem bati uma lata de leite Moça e fiz brigadeiro de panela para comer sozinha, claro. Tudo. De uma sentada só. Antes de ontem também fiz uma lata de brigadeiro, comi cinco pães doces (daqueles grandes, tipo delicatessen), mais chocolate, mais biscoito doce. Cara, eu sou uma MÁQUINA de comer porcaria! E meu corpo não ajuda, porque eu nunca tenho dores de barriga para me fazer pensar "não posso fazer isso de novo".
Então já que o que me incomoda profundamente nessa história toda é o tanto de bobagens calóricas que como compulsivamente, decidi montar uma espécie de '"diário virtual" para a minha campanha "Por uma vida com menos açúcar". Talvez o constrangimento público me ajude a mudar de postura, mas espero que essa realmente não seja minha maior motivação, hahaha!
Vou tentar colocar atualizações constantes sobre os progressos (ou regressões) desta minha nova dieta, e - quem sabe - congregar um ou outro possível leitor que tenha o mesmo problema que eu: ser viciado/a em açúcar, essa coisinha tão gostosinha, que faz a gente tão feliz bioquimicamente falando, mas que é um vilão para o organismo!

Atenção!
Primeiro: Meu propósito não é parar de comer, mas comer melhor; que fique bem claro aos anoréxicos/as ou bulímicos/as de plantão.
Segundo: Não estou interessada em vomitar ou expelir de quaisquer outras formas exageradas e não-naturais o que tenho comido; essa definitivamente não é minha praia, colega. O negócio aqui é alimentação saudável e qualidade de vida.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Sobre Eclipse, de Stephenie Meyer

[Atenção: alerta de spoiler]

Ontem terminei de ler Eclipse, da Meyer.
A propósito, essa coisa de sagas são lazarentas para nós, compulsivos, que não conseguimos largar mesmo a história não sendo boa. É exatamente o caso de Eclipse, que conseguiu ser pior que Lua Nova, seu predecessor. Este traz uma narrativa amarrada pelo sofrimento da protagonista após ter sido abandonada pelo vampiro por quem estava apaixonada, e esta, por sua vez, empreende uma série de tentativas pseudo-suicidas sem sucesso. Já seu sucessor apresenta ao leitor um enredo muito mais fragmentado: a protagonista, Bella, se vê mais uma vez no centro de um alvo mortal, enquanto seu namorado vampiro, que voltou, tenta protegê-la e persuadi-la a se casar virgem. Por outro lado, Bella acaba descobrindo que também é apaixonada por Jacob Black, seu ex-melhor amigo lobisomem e inimigo mortal do seu outro amado, Edward, o vampiro virgem.
 Cá entre nós, Meyer deveria ter parado em Crepúsculo, até agora o melhorzinho da série, que mexe com a imaginação como a maioria dos best-sellers: a narrativa é rápida, preenchida com o encanto de lendas e nítida inspiração de obras que são referências, como Drácula de Bram Stocker (esse sim, um GRANDE livro sobre vampiros! Anne Rice ou Stephenie Meyer não existiriam sem Bram Stocker. Ponto). A narrativa desenfreada, de certa forma amenizada por ser em primeira pessoa, deixa um pouco de dúvida no ar, algo a ser adivinhado, o que desperta a curiosidade de como as coisas vão acontecer.
 Seus sucessores não têm esse mérito. Praticamente já se sabe que Bella será transformada em vampira (fato relatado em Amanhecer, último da série), ficará com Edward e vai escapar de todas as tentativas de assassinato que serão perpetradas contra ela. E - sobretudo - que ela não ficará com Jacob Black (ficar, no sentido de ficar "para sempre").
 Depois que sua inspiração acabou em Crepúsculo, parece que a autora foi cavando referências na literatura (e fora dela) para criar as situações mirabolantes sem pé nem cabeça que deram origem a Lua Nova e a Eclipse, mas isso não ajuda a salvar a série.
Se vou ler Amanhecer? Claro! Sou uma obssessiva-compulsiva declarada! E assim que terminar, posto minhas impressões.