sábado, 13 de dezembro de 2008

Eu não sou popular

É no mínimo curioso como a mídia se refere a nós, meros cidadãos comuns (e também os não tão cidadãos assim...), como "populares". Preste atenção num noticiário local: "É freqüente a falta de água nos bairros da capital. Populares reclamam da falta de abastecimento."

Ontem estava vendo uma entrevista ao vivo no noticiário do meio-dia, com o diretor da Deso, a companhia de abastecimento de água daqui de Sergipe. Tem faltado água nos bairros periféricos da capital (leia-se, sempre os mais pobres e/ou afastados do centro) com bastante freqüência. Esse problema se agrava todos os verões, por anos a fio.

Entrevistado ao vivo, e confrontado com moradores de um bairro pobre da periferia de Aracaju, o distinto senhor insistia em culpar as ligações clandestinas que "usufruem mais água" do que a instalação do cidadão que paga Deso todo mês, e não a óbvia falta de planejamento da abastecedora (porque se a culpa fosse dos clandestinos, porque falta água só no verão?). O mais engraçado é que nós ficamos sem água e a conta sempre chega cobrando.

E depois do desrespeito, somos chamados de populares.

Vá entender...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Considerações sobre ócio, distração e criação (nada de muito espetacular)

Sou um caso clássico de pessoa distraída e pouco observadora. Não lembro que roupa usei domingo passado para ir à Missa, e é muito possível ir para a próxima Missa com a mesma blusa da semana passada. Ou a calça, quem sabe?
Por isso gosto de manter a cabeça ocupada (e mesmo assim me distraio).

Hoje me diverti um pouco fazendo vestibular; amanhã, thank God, é o último dia de provas. Como tenho a preocupação de não copiar gabaritos para corrigi-los depois, (isso é deprimente, me dá complexo de burrice), pensei então que poderia rabiscar aleatoriedades naquela folhinha quase simpática que recebemos para o gabarito.



A folhinha do primeiro dia

Aquela sacação do Domenico di Masi sobre o “ócio criativo” funciona mais que bem comigo. Hora de deixar a imaginação rolar, claro! (Já que só podemos deixar a sala depois de duas horas e meia de prova, e eu tenho tempo de sobra, porque já chutei todas as questões de Matemática, Física e Química do segundo e terceiro anos).



Folhinha do terceiro dia

Foi assim que consegui estruturar minha lista top de álbuns de 2008. E que será postada em breve, mas não hoje, porque agora não tenho tempo suficiente para as consultas, os comentários, as fotos e os vídeos. Boa redação para mim amanhã.

Cheers! \o/

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Não estamos em 1929!

O mundo está em crise. Todo mundo sabe disso, com o perdão da redundância. Você sabe disso. Fala-se na pior crise econômica desde 1929. Mas a diferença entre as duas, a de 1929 e a de 2008, não está na obviedade de que não estamos em 1929. Não. Definitivamente.

Esqueçamos as palavras difíceis que lemos toda semana nas revistas (que – aliás - têm lutado bravamente para se fazerem entender a nós, leitores médios, sobre termos muito próprios da economia, como defaults, títulos podres, commodities, hipotecas subprime, inflação dos ratings, etc.)

A questão é que, em 1929, o operário desempregado dizia: “Irmão, me empresta uns cobres pra eu comprar comida pra minha família?”

Hoje os executivos dizem (ao governo, quem diria!): “Meo, tu libera uns bilhões pra salvar nossas empresas?”

Nessas horas me lembro de Keynes.

Vamos ver até quando o FED agüenta.

Confira: The New York Times, 03/12/2008.

Randomizando...

...porque a minha vida é bem aleatória. Do tipo "BEEEM" mesmo. :D




Hoje tem show do Vampire Weekend em Nova York.

Alguém levaël???

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Shyamalan é o cara!

M. Night Shyamalan é o cara, e vou explicar o porquê dessa minha opinião.

Quando assisti “O Sexto Sentido” (Sixth Sense, 1999), fiquei dois meses sem dormir direito (isso porque também, na mesma época, vi “A Bruxa de Blair”, dos irmãos Winchester). Sim, isso mesmo que você leu, DOIS MESES. Fiquei mesmo com aquilo na cabeça; tipo, levantar de noite pra ir ao banheiro e dar de cara com uma alma penada pedindo ajuda.

Não acredito que almas penadas existam, veja bem. A questão é que o filme criou em mim um medo tão extraordinário, que essa overdose por um tempo fez com que eu esquecesse de que eu realmente não acreditava em almas penadas. Então, depois de Sixth Sense, tudo o que vinha com a etiqueta “M. Night Shyamalan” me atraiu (só não vi The Lady in the Water), mas não por serem filmes espetaculares. Esse diretor indiano é alvo da minha simpatia por ter idéias, na minha opinião, absolutamente surreais (mas incrivelmente simples, eu penso), que CONTINUAM a ser executadas. Mas executadas pobremente, infelizmente, e não estou falando em termos monetários, necessariamente.

Esse findi assisti o último de Shy, “Fim dos Tempos” (The Happenning, 2008).

O filme foi lançado em junho, e porque a sociedade anda tão cada vez mais imediatista, e eu sou sempre “do contra”, não ligo muito se o meu pronunciamento acontece cinco meses depois. Até porque em junho eu estava cuidando de coisas mais importantes do que filmes de paranóia, fica a dica.

[ATENÇÃO: DAQUI PRA DIANTE ESTE POST PODE CONTER SPOILERS!]

Porque foi assim que o próprio Shy descreveu o “Fim”: como um filme de paranóia. Basicamente é mais um daqueles thrillers em que um vírus (nesse caso, na verdade, uma toxina) acomete parte da humanidade (aquela parte “significativa” – e interprete essas aspas do jeito que preferir – da costa leste dos EUA), e cujo centro do “mal” (idem parênteses) é a bela NYC (bela sem aspas e sem ironia, faz favor). A tal toxina se espalha entre as pessoas após uma lufada suspeita de vento, causando dificuldade de fala e de movimento, e invertendo o instinto humano de auto-preservação. Os contaminados acabam cometendo suicídio.

O filme não é ruim. (Mas convenhamos, também não é de todo booom - sacou o trocadilho?). A despeito da falta de emoção que os contaminados demonstram, durante os minutos de fita, eu oscilei entre o bom-humor, a tristeza, a tranqüilidade, o suspense leve e a ansiedade. Roí as unhas todas (de novo, e pra variar).

Mas algumas interpretações chegam a doer na Alma (assista, e você vai saber por que está com “A” maiúsculo). Os furos são evidentes, já que há coisas sobre as quais o observador atento vai ficar sem resposta, e as cenas-clichê estão lá. Também há momentos impagáveis (a não ser que você tenha torrado $15 por uma sessão de cinema, o que não foi o meu caso), como Mark Wahlberg, no papel de um professor de ciências meio confuso, mas racional, conversando com uma planta de plástico.

Apesar do roteiro interessante, Shy se repetiu mais uma vez. Aquele clima-suspense de “puta-que-pariu-lá-vem-o-shyamalan-de-novo” que pintou, na expectativa de um twist à la Sixth Sense, se desvaneceu. Quando terminei o DVD, não pude deixar de achar graça com a “moral” da história que passou pela minha cabeça: “O homem destruiu o planeta e o planeta um dia pode querer ‘vingança’.” O problema é que parece emendar com um “WHO FUCKIN’ CARES?”

Faltou ênfase pra transmitir a tal moral, mas que venha mais um. E continuo com a minha opinião.

Shyamalan é o cara.





Consulte outros blogs e sites sobre o assunto:
The Guardian, The Telegraph, Cinema UOL, Um pouco de tudo.